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Inocênte de Quê?

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

Inocênte de Quê?

07
Jun20

101 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

Advogado.jpg

 

 

101

Advogado do Arguido – Alguma vez foram visitas da casa e …

Ana Maria Miranda - … não, não …

Advogado do Arguido - … e se foram visitas da casa deles?

Ana Miranda – Não, de maneira nenhuma!

Advogado do Arguido – Não?

Ana Miranda – Não!

Advogado do Arguido – Em termos gerais, sabe porque é que o seu marido está a ser acusado?

Ana Miranda – Sei, sei!

Advogado do Arguido – Do que conhece dele, ele é pessoa para ter praticado estes atos?

Ana Miranda – Ò senhor doutor, isto é assim, eu estou casada há 27 anos com o meu marido, mas namoro com ele desde os meus 20 anos. O meu marido sempre viveu ali, naquela casa, com os pais e com os avós. Os pais são pessoas respeitadas ali na zona, todos os conhecem, nunca houve o que quer que fosse de queixas, são pessoas que são amigas de toda a gente, o meu marido em especial é uma pessoa que até é bastante acarinhado ali pelos vizinhos, inclusive dão-lhe as chaves de casa, ele fica com os comandos, pedem-lhe para tratar dos cães, ele vai dar medicamentos aos animais dos vizinhos, inclusive estes nossos vizinhos Vítor e Sílvia deram-lhe a chave de casa, deram-nos a chave de casa, com um papel, para o caso, quando eles não estavam, que tinha o contacto deles, os telemóveis, e dum sobrinho que mora em Cascais, se for necessário alguma coisa. O Miguel é uma pessoa, o meu marido portanto, é uma pessoa, eu acho-o, ele é extremamente calmo, é uma pessoa muito afetiva, a primeira reação que tem é ajudar, costuma ajudar as pessoas. Eu não sou bem assim, eu sou mais recatada!

Juíza – Mas a senhora não está a ser julgada!

Ana Miranda – Ah pois, peço desculpa. Pronto, é uma pessoa que normalmente ajuda as outras pessoas, tanto que lhe pedem por diversas vezes auxílio, inclusive, o senhor doutor que me desculpe, em relação a mim, o comportamento que ele teve. Eu tive um cancro aqui há uns anos atrás e o que aconteceu …

Juiz - … ó senhor doutor, ó minha senhora …

Ana Miranda - … o que aconteceu é que tínhamos mais em que pensar, tínhamos mais em que pensar do que estar, porque todos os momentos livres que nós tínhamos era realmente para uma pessoa arejar um pouco a cabeça …

Juiz - … pois …

Ana Miranda - … arejar a cabeça e sair um pouco daquele ambiente …

Juiz - … daquele ambiente!

Advogado do Arguido – É tudo senhor doutor!

Juiz – Senhor doutor, quer?

Advogado da Assistente – Quero sim senhor doutor, com licença …

Ministério Público - … eu também!

Juiz – Calma senhora doutora, há-de chegar a sua vez!

Advogado da Assistente – Com licença V. Exa., boa tarde senhora dona Ana Miranda. Olhe, ouvi aqui atentamente o seu depoimento, e houve aqui umas pequenas dúvidas.

Ana Miranda – Diga, diga!

Advogado da Assistente – Era assim todas as sextas feiras?

Ana Miranda – Todas as sextas feiras o quê senhor doutor?

Advogado da Assistente – O seu marido ia lá para a empresa, para a Querse …

Ana Miranda - … para a Cerci …

Advogado da Assistente - … Cerci …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … ficava por lá, almoçava lá, ligava-lhe quando estava a sair, vinha de mota, creio que foi o que disse …

Ana Miranda - ... sim, sim, exatamente …

Advogado da Assistente - … chegava a casa e depois faziam o quê?

Ana Miranda – Foi o que eu disse, senhor doutor!

Advogado da Assistente – Iam passear? Sempre?

Ana Miranda – Sim, normalmente nós saíamos porque o meu filho na altura ia para lá, normalmente com a namorada quando ele saia da faculdade, a namorada também, e nós normalmente saíamos, deixávamos a casa por umas horitas, uma, duas, saíamos!

Advogado da Assistente – Muito bem, olhe …

Ana Miranda - … saíamos …

Advogado da Assistente - … costumavam passear a pé, iam de mota já agora, iam de carro?

Ana Miranda – Normalmente íamos na carrinha, levávamos a cadela, no verão íamos tipo …

Advogado da Assistente - … exactamente, iam passear, correr, aquelas coisas simpáticas …

Ana Miranda - … íamos fazer compras …

Advogado da Assistente - … quem tem pelo menos a possibilidade na cidade para ter animais sem ser enfiados num apartamento.

Ana Miranda – Sim, exactamente!

Advogado da Assistente – Olhe, isso faz tudo muito sentido …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … esses passeios na sexta à tarde no verão, só há aqui uma coisa que eu não percebo …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … os factos ocorreram em 21 de setembro, 21 de outubro e 21 de novembro, e se eu me recordo das minhas aulinhas da primária que me deram …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … é outono, não é verão, correto?

Ana Miranda – Não, até outubro está …

Advogado da Assistente - … e eu agora vou-lhe fazer uma pergunta, no ano 2012 o outono foi muito chuvoso?

19
Fev20

86 - Julgamento - Primeira Audiência - 5ª Testemunha

António Dias

Miguel Cano.jpg

86

Juiz – Só disse uma situação, aquela que eu já lhe referi, em que ele está a tirar o tubo da mangueira, admitindo que é ele, eu não consegui dizer com certeza que seja ele, é possível que ele aliás aqui …

Vítor Carvalho - … eu não tenho dúvida nenhuma que é ele. Conheço a pessoa …

Juiz - … não tem a mínima dúvida que a pessoa que está, vem de um lado para o outro, mexe na mangueira e despeja para dentro do seu quintal, ou põe a despejar para dentro do seu quintal, é aqui o arguido?

Vítor Carvalho - … não tenho qualquer …

Juiz - … como é que ele ia equipado naquele dia, lembra-se?

Vítor Carvalho – Com uns calções assim de ginástica, uma camisola, uma t-shirt talvez com …

Juiz - … uns calções escuros, uma camisola …

Vítor Carvalho - … branca …

Juiz - … branca …

Vítor Carvalho - … com uma outra camisola por cima …

Juiz - … vestida …

Vítor Carvalho - … não, nos ombros …

Juiz - … nos ombros. E o que é que levava calçado, recorda-se?

Vítor Carvalho – Uns ténis!

Juiz – Ténis!

Vítor Carvalho – E levava também uma bolsa, que é característica da pessoa, que habitualmente usa nas suas deslocações …

Juiz - … a casa dele não é contígua à sua, mas é perto da sua?

Vítor Carvalho – Não é contígua, mas é mais ou menos!

Juiz – Usa uns calções brancos?

Vítor Carvalho – Não, não, calções escuros!

Juiz – Calções escuros, camisola branca, t-shirt, com um pulôver, uma coisa qualquer por cima?

Vítor Carvalho – Sim!

Juiz – Quer mais alguma coisa, senhora doutora?

Ministério Público – Esclareça-me relativamente a estes fotogramas que o senhor entregou. Quer do corte da mangueira, não é?

Juiz – Convém!

Ministério Público – Nunca conseguiu a visualização da …

Juiz - … não, as mais importantes não tem lá nada …

Ministério Público - … e quando o senhor foi notificado pelo tribunal para juntar as imagens, o senhor só seleccionou estas, ou não?

Vítor Carvalho – Esta!

Ministério Público – Esta imagem que juntou agora o senhor foi notificado …

Juiz - … agora não …

Ministério Público - … estão num …

Juiz - … foi no inquérito …

Ministério Público - … não foi agora por, após …

Advogada da Assistente - … após a contestação …

Ministério Público - … o senhor seleccionou esta imagem, o senhor tinha mais horas de gravação, não tinha?

Vítor Carvalho – Selecionei a imagem que interessava …

Juiz - … que o senhor achava que interessava …

Ministério Público - … o senhor é que seleccionou o que lhe interessava

Vítor Carvalho - … talvez erradamente, mas foi assim …

Juiz - … talvez não …

23
Ago18

1 - Pontos nos "is" - Larápio

António Dias

                                                                                    Justiça 1.jpg

1 

 

“A justiça não existe, seja dentro ou fora do tribunal”

Clarence Darrow

 

Lucius Antonius Rufus Appius era o nome de um pretor (juiz) romano corrupto que, em vez de julgar de um modo isento, preferia vender sentenças a quem pagasse mais. Como costumava assinar as sentenças como L.A.R. Apius, o povo começou a usar a palavra «Larapius» como sinónimo de pessoa desonesta, ladra ou gatuna.

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