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Inocênte de Quê?

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

Inocênte de Quê?

26
Jul20

108 - Julgamento - 2ª Audição - Testemunha 7

António Dias

 

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108

Ministério Público – Não! Então diga-me uma coisa, ela tem inimigos na vizinhança, ou conhece alguém que ela tenha problemas de vizinhança, que algum vizinho possa ter feito tal maldade?

Ana Miranda – Não sei senhora doutora, eu não tenho intimidade com eles para isso!

Ministério Público – Mas já foi aqui referido que ela tinha problemas de vizinhança, inclusivamente com o arguido. Ou não reconhece isso?

Ana Miranda – Problemas de vizinhança?

Ministério Público – Sim!

Ana Miranda – O que é que a senhora doutora quer dizer com isso, desculpe?

Ministério Público – Não sei, isso é o que a senhora pode-me explicar!

Juiz – Não percebe!

Ana Miranda – Não, não eram problemas de vizinhança …

Juiz - …reformule a pergunta de outra maneira …

Ministério Público - … olhe, olhe, a …

Juiz - … a senhora dava-se mal com ela?

Ana Miranda – Não! Não me dava com ela.

Juiz – Problemas de vizinhança é quando as pessoas não se dão bem!

Ana Miranda – Eu não me dava com ela!

Juiz – Se não se dão bem, não são problemas, é um bom viver!

Ana Miranda – Sim, está bem!

Juiz – Está a ver, a senhora sabe …

Ana Miranda - … eu não me dava senhor doutor, não falava …

Juiz - … não se dava com ela, só apertava a mão ao marido de vez enquanto, quando ele falava com o seu!

Ana Miranda – Sim, quando ele falava com o meu marido claro, sim!

Juiz – Olhe, eu só quero fazer uma pergunta …

Ana Miranda - … diga, diga …

Juiz - … que eu pareço que é a única. A senhora foi dizendo que havia lá lagos, que se apercebeu dos lagos, e que os cães até andavam lá a rebolar, e a senhora nem imaginava que aquilo fosse esgoto.

Ana  Miranda – Não, eu percebi nessa altura.

Juiz – Depois percebeu com o cheiro?

Ana Miranda – Sim!

Juiz – Quem é que trata dos esgotos aqui no município? Quem é que trata dos esgotos? Quando há problemas nos esgotos, quem é que trata dos esgotos?

Ana Miranda – São os SMAS, não é?

Juiz – Então, nem sabia de quem eram aquelas carrinhas!

Ana Miranda – Não, mas isso nem …

Juiz - ... não era o vizinho do lado que mandava vir as carrinhas. Se tiver problemas nos esgotos na rua, ou uma rotura de água, quem é que se chama? Se a senhora tivesse lá uma inundação, na rua …

Ana Miranda - … sim …

Juiz - … que lhe enche o quintal de água …

Ana Miranda - … sim, sim, claro …

Juíza - … então a sua afirmação é tão descontraída, está tão longe de tudo, que responde “eu nem sabia o que era, vi lá umas carrinhas”. Acha que essa resposta …

Ana Miranda - … foram vários dias …

Juiz -  … mas acha que isso é uma resposta normal? Depois da senhora saber que cheirava mal que se fartava, isto não interessa, sabe que isto não interessa rigorosamente nada para o que estamos aqui a discutir. É só que às vezes as pessoas vão para o tribunal fazer depoimentos porque acham que devem fazer assim uma coisa descontraída, longínqua, sem que nada. A senhora sabia, e muito bem, quando cheirava mal, que era esgoto, não é? Se cheirava mal daquela maneira, ao ponto de vir a cheirar muito mal, então o cão coitado devia de ficar lá com o cheiro quando entrava em casa, não é? Imagine um cão a entrar dentro de casa depois de ter rebolado num esgoto, e depois, não era água, era esgoto, se não era esgoto …

Advogado da Assistente - … era vinho …

Advogado da Assistente - … era vinho …

Juiz - … se era esgoto vinha de algum lado, da casa de alguém …

Ana Miranda - … sim …

Juiz - … então pronto, se estava lá a carrinha, obviamente …

Ana Miranda - … sim, sim …

Juiz - … é que isto não importa muito, sabe? Ó senhora doutora, quer mais alguma coisa?

Ministério Público – Pronto, era só para …

Juiz - … mas a senhora não tinha reparado que era o SMAS …

Ministério Público - … é a forma como a senhora …

Juiz - … não achou que a carrinha era do SMAS. Quer mais alguma coisa?

Ministério Público – Desvalorizava a situação, era só mesmo para me lembrar disso …

Juiz - … ó senhora doutora quer mais alguma coisa?

Ministério Público – Mais nada!

Juiz – Minha senhora, muito boa tarde pela sua colaboração, pode ir à sua vida!

 

19
Jul20

107 - Julgamento - 2ª Audição - Testemunha 7

António Dias

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107

Juiz – Quer algum esclarecimento, senhora procuradora?

Ministério Público – Queria senhor doutor juiz. Muito boa tarde!

Ana Miranda – Boa tarde!

Ministério Público – Esclareça-me uma coisa, a senhora referiu aqui ao tribunal que não havia sinalização. Mas nós vimos aqui imagens …

Ana Miranda - … sim, posteriormente, de início não havia nenhuma. Uns tempos depois apareceu, realmente …

Ministério Público - … mas na altura foram lá 18 vezes o SMAS.

Ana Miranda – Sim!

Ministério Público – Houve problemas de …

Ana Miranda - … sim …

Ministério Público - … esvaziamento de esgotos …

Ana Miranda - … sim …

Ministério Público - … vieram aqui os funcionários do SMAS …

Ana Miranda - … sim …

Ministério Público - … escorria, toda a gente consegue imaginar …

Ana Miranda - … sim …

Ministério Público - … os esgotos caseiros das pessoas a derramar pela rua abaixo. Os vizinhos vinham à rua, cheirava mal em todo o lado. E a senhora disse aqui ao tribunal que não se apercebeu da situação. Como é que a senhora pode ficar indiferente a uma situação que os SMAS foram com os camiões lá …

Ana Miranda - … sim, mas eu lembro-me disso senhora doutora …

Ministério Público – ah, agora lembra-se da situação …

Ana Miranda - … eu lembro-me disso, não, não, lembro-me que havia camiões …

Ministério Público - … então diga-me uma coisa, isso ocorreu porque a mangueira era tirada do tal local, e era posto no quintal da própria vizinha, retiraram a mangueira …

Ana Miranda - … sim, sim …

Ministério Público - … diga-me uma coisa, ela tinha algum, a senhora sofre de algum problema mental? É conhecida por sofrer algum problema mental?

Ana Miranda – Quem? Eu?

Ministério Público – Não, a sua vizinha!

(Juiz corta a gravação e intervém, olhando para a procuradora: “Faça lá a pergunta de outra maneira!”)

Ana Miranda – Não, acho que não, não sei!

12
Jul20

106 - Julgamento - 2ª Audição - Testemunha 7

António Dias

 

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106

 

Advogado da Assistente  - … a relação não passava disso?

Ana Maria Miranda – Não, de maneira nenhuma!

Advogado da Assistente  – Agora diga-me uma coisa, não falando o senhor consigo, falando só com o seu marido por causa dessas questões, diga-me só isto, a senhora tem a certeza de que vos foi entregue a chave da casa deles?

Ana Miranda – Absoluta!

Advogado da Assistente  – Foi entregue a si e ao seu marido?

Ana Miranda - Foi entregue ao meu marido com um cartão que ele tem, com o número de telemóveis do sobrinho …

Advogado da Assistente  - … isso foi o seu marido que lhe reportou? Lembra-se quando é que essa chave lhes foi entregue? Foi no verão, era habitual ele entregar, era sempre …

Ana Miranda - … não, foi muito tempo antes …

Advogado da Assistente  - … teve sempre na vossa posse essa chave?

Ana Miranda – Muito tempo antes, sim, sim! Até à altura em que lha entregámos.

Advogado da Assistente  – E entregaram-lha porquê?

Ana Miranda – Entregámos porque eu achei que já estava a haver muita confusão ali, e porque o meu vizinho queria pôr uma cancela para ser proibida a entrada na praceta.

Advogado da Assistente  – E então para não pôr a cancela …

Ana Miranda - … queria pôr uma linha amarela ao longo do muro, para não poderem ser estacionados carros. Não queria que houvesse barulho naquele largo, e eu já estava a achar aquilo muita confusão …

Advogado da Assistente  - … entregou a chave só por questões de segurança, não é?

Ana Miranda – Não, não foi por questões de segurança, era para que se houvesse alguma confusão …

Advogado da Assistente  - … porque é que tinha a chave?

Ana Miranda – Porque é que tinha a chave? Porque somos pessoas simpáticas. Provavelmente o meu marido ficou com a chave …

Juiz - … não é essa a questão …

Advogado da Assistente  - … então eu devo ser uma pessoa absolutamente antipática, porque vou-lhe dizer, tenho 36 anos e a única pessoa a quem eu emprestei hoje a minha chave, sabe a quem foi? Só emprestei uma vez, que ainda não ma devolveu, foi à minha ex-mulher porque ainda lá está em casa. Porque eu não emprestei a chave de casa! E olhe que eu sou uma pessoa …

Ana Miranda - … a chave não é da casa dele, é do portão …

Advogado da Assistente  - … e olhe que eu sou uma pessoa muito simpática …

Ana Miranda - … é do jardim da casa …

Advogado da Assistente  - … mesmo do portão, mesmo do portão, da casa do Alentejo nunca emprestei a minha chave …

Ana Miranda - … eu também não empresto senhor doutor, mas ele empresta …

Advogado da Assistente  - … empresta, emprestou-lhe a chave do portão, para quê?  Ele conseguiu saber …

Ana Miranda - … não sei, para o caso de haver algum problema provavelmente. Então o que é isso …

Advogado da Assistente  - … para o caso de haver algum problema?

Ana Miranda – Sim, provavelmente!

Juiz – O esgoto provavelmente, não?

Advogado da Assistente  – O esgoto, por exemplo!

Ana Miranda – Não, não, com o esgoto não!

Advogado da Assistente  – Era só outros problemas sem ser com o esgoto.

Ana Miranda – Com o esgoto não. O esgoto foi posteriormente!

Advogado da Assistente  – Não tenho mais perguntas, muito obrigado!

04
Jul20

105 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

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105

Advogado da Assistente  - … nunca se apercebeu daquele colector que tinha sido lá, colector não, aquela …

Ana Miranda - … não, não, vim a saber mais tarde, ninguém falou connosco …

Advogado da Assistente  - … mas esse tubo não estava dentro do jardim do seu vizinho?

Ana Miranda – Se estava dentro do jardim? Ele parecia que saia de dentro do jardim, saia uma mangueira …

Advogado da Assistente  - … então diga-me uma coisa, é essa …

Ana Miranda - … mas eu não sabia o que era …

Advogado da Assistente  - … é isso que eu não percebo, a senhora tanto nos diz que vai ver os jardineiros, que estão no jardim, como depressa nos diz que afinal não vê o tubo, porque não olha para o jardim. Das duas uma …

Ana  Miranda - … vejo-os quando saem …

Advogado da Assistente  - … deixe-me acabar, olhe deixe-me só acabar …

Ana  Miranda - … sim, faz favor …

Advogado da Assistente  - … das duas uma, ou a senhora olha para o jardim para ver o jardineiro, ou a senhora não olha para o jardim e não vê nem o jardineiro, nem o tubo. Agora as duas coisas é que não são compatíveis, olha só para umas coisas, ou olha ou não olha …

Ana Miranda - … ó senhor doutor, mas é fácil ver os jardineiros, o tubo não estava assim ao meu alcance da janela …

Advogado da Assistente  - … mas como é que a senhora sabe onde estava o tubo?

Ana Miranda – Se eu sei onde estava o tubo? Sei, sei onde estava a mangueira, sei de onde é que ela saía, via, eu via-a!

Advogado da Assistente  – Viu-a, quando?

Ana Miranda – Várias vezes, vi eu e viu toda a gente que estava ali no largo! Mas não sabia para que é que era a mangueira.

Advogado da Assistente  – Mas viu-a depois de quê, já agora?

Ana Miranda – Depois de nada senhor doutor, sei exactamente, vi a mangueira no chão, vi-a realmente no chão, mas eu nem sequer pensava que aquilo era de esgoto, eu nunca pensei que fosse uma mangueira de esgoto. Parecia uma mangueira dos bombeiros. Eu nem sequer sabia que aquilo era de esgoto.

Advogado da Assistente  – Olhe …

Ana  Miranda - … não sabia do que era a mangueira …

Advogado da Assistente  - … só para terminar, a senhora disse-me que falou quatro ou cinco vezes com a senhora. Com o senhor nunca falou, tirando o “bom dia”?

Ana Miranda – Não, falava “bom dia”, “boa tarde”, mas mais nada …

Juiz - … e apertou-lhe a mão também …

Advogado da Assistente  - … e apertou-lhe a mão, exactamente …

Ana Miranda - … sim, uma vez que o encontrei …

Advogado da Assistente  - … e o seu marido falava mais vezes com ele …

Ana Miranda - … falava mais, sim …

Advogado da Assistente  - … e depois referiu “por causa de problemas”, que problemas?

Ana  Miranda – Ó senhor doutor, vários problemas que houve ali. O meu vizinho não gostava muito, havia grupos de miúdos, aquilo é uma praceta, havia grupos de miúdos que iam para a praceta. Bebiam umas cervejas, estavam ali nos carros, conversavam. Também iam namorados, e o meu vizinho não gostava porque dizia que eles faziam muito barulho, e ele não gostava de barulho …

Advogado da Assistente  - … e fazia esse reporte ao seu marido, é isso?

Ana Maria Miranda – Fazia ao meu marido, exactamente!

Advogado da Assistente  – Como o seu marido lhe tenha contado. Quantas vezes é que o senhor reportou isso ao seu marido?

Ana Miranda – Não sei, muitas vezes, ele apareceu várias vezes, ele aparecia …

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