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Inocênte de Quê?

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

Inocênte de Quê?

28
Jun20

104 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

 

Bocas.jpg

 

104

 

Advogado da Assistente  – Vou-lhe dar um exemplo, imagine que nesta sexta-feira …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … a senhora está em sua casa …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … e ouviu um barulho no quintal do seu vizinho …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … foi lá confirmar se eram os jardineiros?

Ana Miranda – Não!

Advogado da Assistente  – Agora faço-lhe esta pergunta, imagine que nesse quintal está uma pessoa a destruir um tubo. Como é que a senhora sabe se é alguém a destruir um tubo, ou se é um jardineiro que está a tratar do jardim, se não foi confirmar?

Ana Miranda – Não sei!

Advogado da Assistente  – Então a senhora não sabe, nestas sextas-feiras à tarde, quem está lá …

Ana Miranda - … mas é difícil que alguém consiga fazer alguma coisa ali com os jardineiros …

Advogado da Assistente  - … minha senhora, eu opiniões tenho muitas e sobre tudo …

Ana  Miranda - … pronto, com certeza, sim, com certeza …

Advogado da Assistente  - … a minha questão é o que a senhora sabe, ou viu …

Ana Miranda - … não vi nada!

Advogado da Assistente  – Não viu nada?

Ana Miranda – Não vi absolutamente nada!

Advogado da Assistente  – Então a senhora não sabe se nestas sextas-feiras sequer se lá estavam os jardineiros?

Ana Miranda – Sei que estavam lá os jardineiros!

Advogado da Assistente  – Então como é que sabe, se não os viu!

Ana Miranda – É assim ò senhor doutor, eu estou a dizer, eu não sei se realmente estavam lá os jardineiros, o senhor doutor tem razão, costumam estar às sextas feiras, eu não me recordo exatamente dessa sexta feira, isso já foi há 2 ou 3 anos, não me recordo exatamente, agora que eles costumam estar às sextas feiras, costumam! Pronto, é só isso!

Advogado da Assistente  – Olhe, por aquilo que nos contou do seu marido, vai de manhã para a instituição fundação, almoça lá àquela hora …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … é por reporte ao que ele lhe diz, a senhora não vai lá?

Ana Miranda – Com certeza!

Advogado da Assistente  – Ò minha senhora é só uma posição direta e indirecta.

Ana Miranda – É normal.

Advogado da Assistente  – Ò minha senhora, eu não disse que é normal, só queria saber a razão de ciência desses factos. Olhe, desculpe voltar-lhe à pergunta …

Ana Miranda - … sim, faz favor …

Advogado da Assistente  - … mas neste mês de setembro, este período, em 2012, foi assim muito, muito chuvoso?

Ana Miranda – Setembro, outubro, eu penso que não, em que só lá talvez para novembro …

Advogado da Assistente  - … se não foi assim tão chuvoso …

Ana Miranda - ... talvez novembro, não sei …

Advogado da Assistente  - … há um efeito, não sei, vem quase do senso comum, se há poças no chão com água, é porque a água vem de algum lado …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … se há poças gigantes é porque vem muita água de algum lado!

Ana Miranda – Siiiim!

Advogado da Assistente  - … é um silogismo um bocado lógico. Se não choveu assim tanto, e havia poças grandes …

Ana Miranda - … não eram grandes, não eram gigantes, eram para aí poças com um metro de diâmetro …

Advogado da Assistente  - … e nunca se questionou de onde é que viria essa água? Presumo que houvesse mau cheiro, a senhora à bocado confirmou …

Ana Miranda - … eu depois depreendi, de início, é o que eu lhe digo, eu não tenho o hábito de ir ali ver o que é que se passa, ou deixa de se passar, eu tinha mais do que fazer na altura, senhor doutor. Depois comecei a perceber claro, quando começaram a vir as carrinhas todas …

 

22
Jun20

103 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

 

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103

 

Advogado da Assistente  – Com licença V. Exa., olhe, a senhora não trabalha?

Ana Miranda – Neste momento não estou a trabalhar!

Advogado da Assistente  – E em 2012?

Ana Miranda – Não estava a trabalhar!

Advogado da Assistente  – Não estava a trabalhar?

Ana Miranda – Não!

Advogado da Assistente  – Estava sempre em casa?

Ana Miranda – Sempre em casa não, não estou sempre em casa, na altura, como vos disse, tive um cancro e deixei de trabalhar!

Advogado da Assistente  – Nessa altura, já agora …

Ana Miranda - … sim, faz favor …

Advogado da Assistente  - … em setembro e novembro e, desculpe estar a entrar um bocadinho …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … na sua privacidade …

Ana Miranda - … sim, faz favor …

Advogado da Assistente - … foi uma altura mais complicada da doença, mais complicada?

Ana Miranda – Estava em tratamento no IPO …

Advogado da Assistente  - … estava em tratamento no IPO …

Ana Miranda - … ainda estava no IPO!

Advogado da Assistente  – Olhe, mas estava internada ou não?

Ana Miranda – Diga?

Advogado da Assistente  – Estava internada?

Ana Miranda – Não, nunca estive internada!

Advogado da Assistente  – E em casa?

Ana Miranda – Estive sempre em ambulatório!

Advogado da Assistente  – E em casa, estava muito tempo acamada? Não estava …

Ana Miranda - … não, nunca estive acamada, não, não!

Advogado da Assistente  – Essa vida que me reporta …

Ana Miranda - … estava mal disposta, com certeza, isso é normal, pronto …

Advogado da Assistente  - … normal por causa da quimioterapia …

Ana Miranda - … não acamada!

Advogado da Assistente  – Olhe, e nesse período tem muito hábito em ver o que é que os vizinhos fazem pela janela, não tem?

Ana Miranda – Eu? Não!

Advogado da Assistente  – Então como é que sabe que os jardineiros todas as sextas feiras há jardineiros?

Ana Miranda – Sei porque eles estão lá sempre, porque nós falamos, porque as cadelas ladram.

Advogado da Assistente  – Estão lá sempre, mas que “lá sempre”? Vão lá todos os dias?

Ana Miranda – Não, vão à sexta-feira! Estão sempre à sexta-feira.

Advogado da Assistente  – É sempre o dia dos jardineiros à sexta-feira?

Ana Miranda – À minha vizinha do lado, do nº 7, vão agora à quinta-feira, e aos meus vizinhos do nº 4 vão à sexta.

Advogado da Assistente  – E olhe, estes jardineiros …

Ana Miranda - … nota-se, eles fazem barulho …

Advogado da Assistente  - … mas ouve-se ou a senhora vê?

Ana Miranda – Eu vejo e oiço também, as duas coisas!

Advogado da Assistente  – Vai lá sempre verificar se estão os jardineiros?

Ana Miranda – Não, não vou lá verificar, vê-se da janela!

Advogado da Assistente  – Mas vai sempre à janela verificar se são os jardineiros que lá estão?

Ana Miranda – Não!

13
Jun20

102 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

 

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102

Ana Miranda – Senhor doutor, mas nós íamos fazer compras, é o que lhe estou a dizer, não era só, foi o que eu comecei por dizer, no verão, quando ainda era verão, realmente setembro e outubro …

Advogado da Assistente  - … ò minha senhora, vamos só tentar aqui circunscrever o seu tempo …

Ana Miranda - … diga …

Advogado da Assistente  - … a senhora disse, quando lhe foi perguntado …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … se o seu marido teria praticado os ilícitos que vêm descritos na acusação …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … a senhora, creio que o meu ilustre colega até lhe disse os dias do mês …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … a senhora, com uma precisão fantástica …

Ana Miranda - ... sim …

Advogado da Assistente  - … à qual eu fui confirmar ao telemóvel …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … por acaso eu não tinha confirmado neles, eu não sabia que o dia 21 de setembro era uma sexta-feira, bem como os outros dois dias depois, e a senhora respondeu logo, “até foi uma sexta-feira” …

Ana Miranda - … sim, mas o senhor doutor (o colega) disse que eram sextas feiras …

Advogado da Assistente  - … eu estou-lhe a dizer, eu não precisei se a pergunta, pode ser erro em ter ouvido …

Ana Miranda - … sim, sim …

Advogado da Assistente  - … a senhora reportou logo que era uma sexta-feira, e reportou de seguida …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente  - … o seu habitual comportamento com o seu marido, depois de ele vir lá da instituição, às sextas-feiras à tarde.

Ana Miranda – Sim!

Advogado da Assistente  - Comportamento que eu não tenho nada, nem sequer a comentar, não é? Mas depois, já instâncias minhas está a descrever esse normal comportamento, e refere-se com alguma facilidade ao verão.

Ana Miranda – Sim!

Advogado da Assistente  – Só que isto não aconteceu no verão, pois não?

Ana Miranda – Aconteceu no verão e aconteceu mais tarde, por isso mesmo é que eu digo …

Advogado da Assistente  - … pronto, 21 de setembro ainda seria verão, por acaso até pode ser o dia de transição …

Ana Miranda - … podíamos também fazer compras …

Advogado da Assistente  - … e outubro e novembro também foram para si …

Ana Miranda - … íamos fazer compras, íamos ao Oeirasparque, nós costumávamos sair …

Advogado da Assistente  - … ou seja, posso aferir que nas cinquenta e duas semanas do ano, às 18H00 nunca estão em casa?

Ana Miranda – Naquela altura não, não estávamos, não …

Advogado da Assistente  - … porquê naquela altura?

Juiz – Senhor doutor, nesta sexta-feira à tarde estão no tribunal.

Advogado da Assistente – Peço desculpa senhor doutor, não ouvi!

Juiz – Nesta sexta-feira à tarde estão no tribunal.

Ana Miranda – Sim, mas ainda não são 16H30, penso eu! Era normal, normalmente quando o meu marido chegava, nós normalmente saíamos, é uma coisa que costumamos fazer!

Advogado da Assistente – Esteja a chover?

Ana Maria Miranda – Sim!

Advogado da Assistente  – E nessa altura era uma altura muito chuvosa, recorda-se?

Ana Miranda – Choveu, houve alturas em que choveu, bastante!

Advogado da Assistente  – Choveu muito?

Ana Miranda – Sim! Também saímos à chuva.

Advogado da Assistente  – Saíam à chuva, iam passear os cães à mesma, à chuva?

Ana Miranda – Não, não, não levamos sempre o cão!

Advogado da Assistente  – É que no depoimento diz que …

Ana Miranda - … não, levamos o cão na carrinha …

Advogado da Assistente  - … fica no shopping aonde, na carrinha?

Ana Miranda – Sim, costuma ficar na carrinha, nós temos uma pick-up!

Juiz – Quer-se tenha-se provado ou não os factos de que aquele senhor é acusado, que esta senhora tenha dito, ainda não me apercebi de alguma coisa que ela ali lhe disse que inibe factos que estão na acusação. Ela não disse nada, disse só que saía com o marido, até agora a senhora não viu o marido fazer nada, nem o viu deixar fazer, não está sempre ao pé dele.

Ana Miranda – Não, claro que não …

Juiz - … pronto, ponto final. A partir daí nós não sabemos quando é que aquilo foi cortado, senhor doutor!

07
Jun20

101 - Julgamento - 2ª Audiência - Testemunha 7

António Dias

Advogado.jpg

 

 

101

Advogado do Arguido – Alguma vez foram visitas da casa e …

Ana Maria Miranda - … não, não …

Advogado do Arguido - … e se foram visitas da casa deles?

Ana Miranda – Não, de maneira nenhuma!

Advogado do Arguido – Não?

Ana Miranda – Não!

Advogado do Arguido – Em termos gerais, sabe porque é que o seu marido está a ser acusado?

Ana Miranda – Sei, sei!

Advogado do Arguido – Do que conhece dele, ele é pessoa para ter praticado estes atos?

Ana Miranda – Ò senhor doutor, isto é assim, eu estou casada há 27 anos com o meu marido, mas namoro com ele desde os meus 20 anos. O meu marido sempre viveu ali, naquela casa, com os pais e com os avós. Os pais são pessoas respeitadas ali na zona, todos os conhecem, nunca houve o que quer que fosse de queixas, são pessoas que são amigas de toda a gente, o meu marido em especial é uma pessoa que até é bastante acarinhado ali pelos vizinhos, inclusive dão-lhe as chaves de casa, ele fica com os comandos, pedem-lhe para tratar dos cães, ele vai dar medicamentos aos animais dos vizinhos, inclusive estes nossos vizinhos Vítor e Sílvia deram-lhe a chave de casa, deram-nos a chave de casa, com um papel, para o caso, quando eles não estavam, que tinha o contacto deles, os telemóveis, e dum sobrinho que mora em Cascais, se for necessário alguma coisa. O Miguel é uma pessoa, o meu marido portanto, é uma pessoa, eu acho-o, ele é extremamente calmo, é uma pessoa muito afetiva, a primeira reação que tem é ajudar, costuma ajudar as pessoas. Eu não sou bem assim, eu sou mais recatada!

Juíza – Mas a senhora não está a ser julgada!

Ana Miranda – Ah pois, peço desculpa. Pronto, é uma pessoa que normalmente ajuda as outras pessoas, tanto que lhe pedem por diversas vezes auxílio, inclusive, o senhor doutor que me desculpe, em relação a mim, o comportamento que ele teve. Eu tive um cancro aqui há uns anos atrás e o que aconteceu …

Juiz - … ó senhor doutor, ó minha senhora …

Ana Miranda - … o que aconteceu é que tínhamos mais em que pensar, tínhamos mais em que pensar do que estar, porque todos os momentos livres que nós tínhamos era realmente para uma pessoa arejar um pouco a cabeça …

Juiz - … pois …

Ana Miranda - … arejar a cabeça e sair um pouco daquele ambiente …

Juiz - … daquele ambiente!

Advogado do Arguido – É tudo senhor doutor!

Juiz – Senhor doutor, quer?

Advogado da Assistente – Quero sim senhor doutor, com licença …

Ministério Público - … eu também!

Juiz – Calma senhora doutora, há-de chegar a sua vez!

Advogado da Assistente – Com licença V. Exa., boa tarde senhora dona Ana Miranda. Olhe, ouvi aqui atentamente o seu depoimento, e houve aqui umas pequenas dúvidas.

Ana Miranda – Diga, diga!

Advogado da Assistente – Era assim todas as sextas feiras?

Ana Miranda – Todas as sextas feiras o quê senhor doutor?

Advogado da Assistente – O seu marido ia lá para a empresa, para a Querse …

Ana Miranda - … para a Cerci …

Advogado da Assistente - … Cerci …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … ficava por lá, almoçava lá, ligava-lhe quando estava a sair, vinha de mota, creio que foi o que disse …

Ana Miranda - ... sim, sim, exatamente …

Advogado da Assistente - … chegava a casa e depois faziam o quê?

Ana Miranda – Foi o que eu disse, senhor doutor!

Advogado da Assistente – Iam passear? Sempre?

Ana Miranda – Sim, normalmente nós saíamos porque o meu filho na altura ia para lá, normalmente com a namorada quando ele saia da faculdade, a namorada também, e nós normalmente saíamos, deixávamos a casa por umas horitas, uma, duas, saíamos!

Advogado da Assistente – Muito bem, olhe …

Ana Miranda - … saíamos …

Advogado da Assistente - … costumavam passear a pé, iam de mota já agora, iam de carro?

Ana Miranda – Normalmente íamos na carrinha, levávamos a cadela, no verão íamos tipo …

Advogado da Assistente - … exactamente, iam passear, correr, aquelas coisas simpáticas …

Ana Miranda - … íamos fazer compras …

Advogado da Assistente - … quem tem pelo menos a possibilidade na cidade para ter animais sem ser enfiados num apartamento.

Ana Miranda – Sim, exactamente!

Advogado da Assistente – Olhe, isso faz tudo muito sentido …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … esses passeios na sexta à tarde no verão, só há aqui uma coisa que eu não percebo …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … os factos ocorreram em 21 de setembro, 21 de outubro e 21 de novembro, e se eu me recordo das minhas aulinhas da primária que me deram …

Ana Miranda - … sim …

Advogado da Assistente - … é outono, não é verão, correto?

Ana Miranda – Não, até outubro está …

Advogado da Assistente - … e eu agora vou-lhe fazer uma pergunta, no ano 2012 o outono foi muito chuvoso?

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