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Inocênte de Quê?

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

Inocênte de Quê?

27
Out19

70 - Julgamento - Primeira Audiência - 4ª Testemunha

António Dias

Cães.jpg

 

70

Ministério Público - … olhe, ó senhora Sílvia, diga-me outra coisa, a vossa vizinhança, já percebi, não é pacífica?

Sílvia Carvalho – Bom, não é fantástica, realmente o senhor tem comportamentos e tem um interesse especial …

Ministério Público - … olhe, explique-me lá quais são os comportamentos do seu vizinho, e se por ventura os senhores também têm algum comportamento para com ele. Isto é para tentar perceber o contexto. Repare, é quando nós fazemos uma imputação, quando nós dizemos “aconteceu isto”, ou quando temos uma convicção, no seu caso é uma convicção, tem que haver um contexto, eu não acordo de manhã e digo assim, “olha, agora apareceu-me o caixote de lixo roto, foi a minha vizinha da frente”, a menos que exista um historial que me permita de alguma forma achar que assim é. O que quero tentar perceber é, entre vós o que é que aconteceu, o que é que acontece que, para além desta imagem, lhe permite dizer com toda a certeza, que é sua convicção que foram estes senhores?

Sílvia Carvalho – Quando nós fomos para ali o relacionamento era normal, a vizinhança sem grande proximidade, e a partir da altura em que, nós por vezes já estávamos saturados até à exaustão, e o meu marido chamou à atenção do nosso vizinho, porque estávamos com muita dificuldade em ter algum controle, penso que é a isso que se refere, porque é isto que acontece, bom …

Ministério Público - … pois …

Sílvia Carvalho - … devemos ter algum controle porque o senhor tem cães, e o vizinho de baixo também tem, e é insuportável de manhã, à tarde, e à noite, o senhor tem 3 cães, o outro vizinho tem 2 cães, depois morreu um …

Juízes - … são para segurança …

Sílvia Carvalho - … sim, mas deve haver uma maneira dos cães …

Juiz - … não ladrarem?

Sílvia Carvalho - … pois mas é …

Juiz - … se a senhora vivesse na aldeia, eu por acaso tenho casa numa aldeia, a senhora vai para lá, os cães passam a noite toda a ladrar, toda ….

19
Out19

69 - Julgamento - Primeira Audiência - 4ª Testemunha

António Dias

Galhofeiro.jpg

 

69

Ministério Público – Nesta altura, isto só para tentar perceber, portanto, disse há pouco, até por força desta confusão entre as declarações, que era sua convicção, e agora pergunto-lhe, se esta sua convicção, porque uma coisa é termos a filmagem e a senhora já disse que tem a certeza absoluta que a pessoa que aparece naquela imagem é o senhor que está sentado atrás de si, e eu quero perceber é se quanto à factualidade restante, àquele que dizia, não só relativamente ao corte da mangueira mas como tira a mangueira da caixa e põe na via pública, se essa sua convicção se baseia nesta imagem que viu?

Sílvia Carvalho - … (a beber água)

Ministério Público - … não me fiz entender, pois não?

Juiz – A senhora está um bocado emocionada!

Ministério Público – Ó senhora Sílvia, tem aqui relativamente a esta situação em concreto, repare, é que a senhora começou as suas declarações por dizer que estas situações de tira a mangueira, põe a mangueira, aconteceram várias vezes, certo?

Sílvia Carvalho – Sim!

Ministério Público – Isto que viu aqui nesta imagem é uma vez, é uma única vez, o que significa que, para além desta, estão outras situações onde não se consegue ver quem fez …

Sílvia Carvalho - … certo …

Ministério Público - … como aconteceu agora, ao contrário do que aconteceu neste, e o que estou a tentar perceber é se a convicção que a senhora tem relativamente à autoria dos outros factos, não este, este a senhora já disse “tenho a certeza de que é este senhor que está aqui, está ali na imagem”, quero saber se a sua convicção se prende com o facto de ter confirmado a autoria por força desta imagem, ou se viu efectivamente alguma coisa pelos seus olhos?

Sílvia Carvalho – Não presenciei!

Ministério Público – Sim, mas tem uma convicção.

Sílvia Carvalho – A convicção é formada por um conjunto de factores, deste que se comprova com as imagens que aquele comportamento naquelas circunstâncias, também naturalmente estaria de acordo com os demais comportamentos …

Ministério Público - … pronto …

Sílvia Carvalho - … pronto, e por circunstâncias várias, ou seja, o senhor várias vezes foi para aquele lugar, mas vê-lo a cortar não, mas conjugadas todas as situações …

Ministério Público - … certo …

Sílvia Carvalho - … os senhores passavam por lá, pois mais tarde passava, por exemplo, a esposa que ia lá passar, espreitar, ver e ir depois para casa, não são comportamentos normais como lhe disse, mas ver, não …

Ministério Público - … isso já entendemos, a única coisa que vale é o que está ali naquela imagem …

Sílvia Carvalho - … é um conjunto de circunstâncias, é o ar galhofeiro com que assiste àquilo tudo, e vê o SMAS entrar e sair com aquela parafernália toda e …

Ministério Público - … mas depois o senhor ficava lá a ver?

Sílvia Carvalho – O senhor mora ali, é normal, sai e entra do carro …

Ministério Público - … olhe, e o que é na sua ótica um “ar galhofeiro”? O senhor fica lá a brincar?

Sílvia Carvalho – É um ar, é um ar …

Ministério Público - … a gozar?

Sílvia Carvalho – É um ar alegre, bem disposto, quer dizer perante as circunstâncias de termos uma manga entupida, não acho muito normal a pessoa ficar a rir, assim, quer dizer, mas pronto …

14
Out19

68 - Julgamento - Primeira Audiência - 4ª Testemunha

António Dias

filme.jpg

 

68

 

Filme

Juiz – É esta?

Sílvia Carvalho – É, absoluta!

Juiz – É? De certeza absoluta?

Sílvia Carvalho – De certeza absoluta!

Ministério Público – Eu tenho de fazer esta pergunta, eu por exemplo não consigo identificar?

Sílvia Carvalho - Naturalmente não consegue identificar. A praceta tem quatro pessoas, basicamente tem três, aqueles senhores dali são do consulado, estrangeiros e raramente estão, esta praceta não tem nenhum movimento, aquele percurso que eu conheço, já moro ali há muitos anos, este senhor com frequência está na rua, está no exterior, até porque normalmente …

Juiz - … é por convicção, de certeza?

Sílvia Carvalho – De certeza!

Juiz – Uma coisa é a certeza, outra a convicção. É que nesta filmagem parece-me uma pessoa mais nova, estou-lhe a dizer isto com toda a franqueza, não sei se é possível fazer um zoom desta, isto será possível, há técnicas para alargar, e para identificar a pessoa com mais precisão.

Sílvia Carvalho – Este senhor usou nomeadamente a roupa com que costuma andar, penso que é da área da Educação Física, no desporto, e portanto é relativamente comum apresentar-se assim …

Juiz - … andar de calções e ténis …

Sílvia Carvalho - … sim, e depois uma pessoa conhece …

Juiz - … de calções e ténis …

Sílvia Carvalho - … e uma bolsa …

Juiz - … leva uma bolsa à cintura?

Sílvia Carvalho – Sim!

Ministério Público – Mas é uma característica dele ou é característica …

Sílvia Carvalho - … é característica dele, porque agora já nem se vê tanto, foi uma coisa que se usou em tempos, e é uma bolsa muito característica, e este senhor anda …

Juiz - … a senhora afirma convictamente …

Sílvia Carvalho - … convictamente …

Juiz - … que este indivíduo … ande um bocadinho para a frente …

Sílvia Carvalho - … eu não tenho qualquer dúvida que é este senhor …

Juiz - … vai lá apanhar a mangueira, enfia-a para dentro do muro …

Sílvia Carvalho - …não passa ali ninguém, conheço muito bem este senhor, vejo-o com muita frequência, ele corre ali na rua …

Juiz - … ora bem, pode-se sentar …

Ministério Público - … olhe, eu não sei se viu a data que estava …

Juiz - … é uma data que o SMAS diz …

Ministério Público - … é dia 1 de outubro, foi dia 1 de outubro de 2012 …

Juiz - … e é ao fim da tarde, ao fim da tarde, meio da tarde, em outubro já será próximo da noite, às quatro e trinta e tal, não é?

05
Out19

67 - Julgamento - Primeira Audiência - 4ª Testemunha

António Dias

Deserto.jpg

67

Ministério Público - … mas os senhores também passam, e então também passam outras pessoas …

Sílvia Carvalho - … não, não passa ali ninguém, naquele sítio não passa ninguém …

Ministério Público - … só este senhor?

Sílvia Carvalho – Só a empregada e os senhores da casa da frente, que entram de carro, passam. A senhora que trabalha na casa da frente, o carteiro, por exemplo, ele vem trazer encomendas, vem direto da praceta para a casa da frente, também passam ali, há um caminho direto da rua para a entrada da praceta, e não passa ali pelo nosso muro, ninguém passa junto ao nosso muro, só os senhores do SMAS e quando vão fazer a limpeza, portanto, ninguém passa ali, aquilo é uma praceta só com quatro pessoas e ninguém vai ali junto ao muro …

Ministério Público - … mas viu este senhor então passar …

Juiz - … deslocar-se para o muro …

Ministério Público - … deslocar-se para o muro?

Sílvia Carvalho – Sim! E depois ele também foi lá, olhou, várias vezes.

Ministério Público – E nunca viu mais ninguém fazer esse mesmo exercício?

Sílvia Carvalho – Não!

Ministério Público – E aqui reporto-me directamente ao facto de, do primeiro facto que referiu da mangueira ser tirada da caixa que se encontra do lado de fora do muro para a via pública. Mas a senhora disse aqui uma coisa, e individualizou esta situação, e individualizou uma situação de a mangueira não ter sido tirada da caixa e colocada na via pública, mas ter sido tirada da caixa e colocada do lado de dentro do vosso muro. Foi isso que disse?

Sílvia Carvalho – Desconfio!

Ministério Público – E aí a senhora falou de umas filmagens. Meritíssimo, eu gostaria de saber se é possível confrontar a senhora testemunha com as filmagens que há pouco estivemos aqui a ver, por favor. Em concreto eu quero saber se a senhora se referiu a esta filmagem?

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