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Inocênte de Quê?

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

"É relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a Justiça" - Henry Menchen

Inocênte de Quê?

27
Jan19

33 - Julgamento - Primeira Audiência - 1ª Testemunha

António Dias

Cavaco acorda.jpeg

 

33

Juiz – Faz favor de se sentar, dou a palavra à senhora Procuradora.

Ministério Público – Meritíssimo juiz, muito boa tarde. Senhor José Bonito, diga-me uma coisa, o senhor sabe porque é que está aqui hoje?

José Bonito – sim!

Ministério Público - O senhor é o representante legal do SMAS?

José Bonito - Um dos…

Ministério Público – Um dos representantes! Diga-me uma coisa, sabe porque é que o senhor arguido está aqui hoje a ser julgado?

José Bonito – Vamos lá ver, eu não sei se é este senhor ou não.

Ministério Público - O senhor não sabe se é ele o autor da prática dos factos, mas o que é que aconteceu precisamente?

José Bonito – O que aconteceu é que entre setembro e novembro os serviços foram quatro vezes ao local, houve problemas numa das captações, que tentámos resolver.

Ministério Público – Vou pedir o favor de falar mais alto, não se importa de falar mais alto por causa da gravação.

Juiz – Depois fica tudo ruído.

José Bonito – Ok!

Juiz – Convém falar alto, porque senão fica tudo ruído.

19
Jan19

32 - Julgamento - Primeira Audiência - 1ª Testemunha

António Dias

 

Engenheiro.jpg

32

(32 minutos e 8 segundos)

Juiz – Muito boa tarde, diga-me o seu nome completo, se faz favor.

Testemunha – José Bonito.

Juiz – O seu estado civil?

José Bonito – Casado.

Juiz – Profissão?

José Bonito – Engenheiro

Juiz – Que idade é que tem?

José Bonito – Sessenta e dois.

Juiz – Trabalha para o SMAS?

José Bonito – Sim, mas sou da câmara…

Juiz – … ó homem deixe-se de preciosismos, trabalha para a Assistente?

José Bonito – Sim, trabalho no SMAS.

Juiz – Esse facto não o impede de vir a tribunal?

José Bonito – Claro que não!

Juiz – Sabe o que é que estamos aqui a discutir?

José Bonito – Sei!

Juiz – Jura que não vai ofender a honra do tribunal?

José Bonito – Juro.

13
Jan19

31 - Julgamento - Primeira Audiência - Arguido

António Dias

 

jardinagem.jpg

 

31

 

Juiz – Está alguém na praceta?

António Miranda – Sim, estão os jardineiros dos meus vizinhos …

Advogado do Arguido - … costumam estar ….

António Miranda - … os jardineiros às sextas feiras estão por volta das 14H00, quando chego eles já estão lá, e ficam até às 17H00, 17H30, neste momento devem estar lá, estavam quando sai para aqui …

Juiz - … as horas aqui não diz …

Advogado do Arguido - … exactamente … mas por exclusão de partes pode ajudar.

Juiz – Diga?

Advogado do Arguido – Por exclusão de partes pode ajudar!

Juiz – Está bem, estavam lá os jardineiros às 14H00, não é?

António Miranda – Quando eu chego por volta das 15H00, quinze e tal, eles estão lá. Eu venho de mota, guardo-a na garagem da casa dos meus pais, que moram ao lado …

Advogado do Arguido - … e os jardineiros o que é que estão lá a fazer?

António Miranda – Estão a trabalhar no jardim dos meus vizinhos, os Silvas, têm o portão aberto e eles vão entrando e saindo …

Juiz - … estão a limpar o jardim …

António Miranda - … eles vão entrando e saindo do jardim, vêm buscar material, pôr lixo, andam por ali …

Juiz - … os homens trabalham no seu vizinho …

António Miranda - … sim, sim …

Advogado do Arguido - … esse jardim onde estão a trabalhar, a entrar e a sair, é virado ou não para a tal caixa de visita, a tampa …

Juiz - … o portão está virado para a tampa?

António Miranda – Sim, está!

Juiz – Mais alguma coisa para responder?

Advogado do Arguido – Só para descrever mais ou menos a praceta!

Juiz – Como é a praceta?

António Miranda – Nós somos quatro vizinhos …

Juiz - … o seu advogado é que quer …

António Miranda - … o largo é um quadrado, tem uma subida, onde se inicia a praceta segundo a toponímia …

Juiz - … só tem uma entrada?

António Miranda – Tem uma entrada, uma rampa e cá em cima um largo quadrado onde estacionamos os carros. Sou eu, a minha vizinha do lado de baixo, estes meus vizinhos …

Juiz - … são só vivendas?

António Miranda – Só vivendas!

Juiz – Senhora doutora quer alguma coisa?

Ministério Público – Não senhor doutor!

Juiz – Faz favor de se sentar.

05
Jan19

30 - Julgamento - Primeira Audiência - Arguido

António Dias

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30

Juiz – Senhora doutora, perante isto …

Ministério Público - … nada a perguntar!

Juiz – Nada a perguntar, nada a perguntar, ….

Advogado do Arguido - … eu tenho, eu tenho, eu tenho Vossa Excelência …

Juiz - … diga?

Advogado do Arguido – Eu tenho! A primeira coisa que eu queria perguntar, tem a haver com as duas datas que são indicadas na acusação …

Juiz - … dois quê?

Advogado do Arguido – Duas datas!

Juiz – Sim!

Advogado do Arguido – Duas datas!

Juiz – Uma primeira em 21 de Setembro, outra não diz a data e outra em 23 de Novembro.

Advogado do Arguido – Duas datas! Daqui a pouco iremos ver o vídeo e eventualmente juntar à acusação a data do que está filmado. Se for esse o caso haverá uma terceira data que será 1 de outubro. Ora as duas datas referidas na acusação, 21 de setembro e 23 de novembro, foram duas sextas – feiras. Vossa Excelência faça favor de perguntar ao arguido, portanto há dois anos atrás, em 21 de setembro de 2012 e 23 de novembro de 2012, duas sextas feiras, o que é que o arguido fez à sexta feira.

Juiz – O que é que faz à sexta feira?

António Miranda – Dou aulas no Ensino Especial …

Juiz - … nas datas!

António Miranda – Nestas datas estive a dar aulas até às 14H30 e após o último tempo letivo tive de entregar os alunos nas salas, fazer o registo das ocorrências, ou seja, saí, mais ou menos, meia hora depois.

Juiz – Não estava no local …

António Miranda - … não estava no local …

Juiz - … a estas horas …

António Miranda - … a estas horas … desde as …

Juiz - … aqui não diz as horas …

António Miranda - … isto já foi há tanto tempo que eu tive de pedir na escola acesso ao livro de ponto, que já estava nos arquivos, onde estão registadas as horas de entrada e as horas de saída. O horário não é igual de ano para ano, varia conforme as necessidades, os espaços disponíveis, o tipo de alunos, etc. Nestas sextas feiras eu entrava às 9H30 e saía às 14H30 …

Juiz - … está-me a dizer que entre as 9H30 …

António Miranda - … entre as 9H30 e as 14H30 estive a dar aulas, … e nós somos controlados de 45 em 45 minutos!

Juiz – E depois vem para casa?

António Miranda – Depois vim para casa, e geralmente à sexta feira tenho sempre uma rotina com a minha mulher, em que ela já está à minha espera e nós vamos sair, fazer compras, e portanto …

Juiz - … não teve na zona durante todo o dia?

António Miranda – Não tive na zona, e tenho aqui também os registos do meu cartão de multibanco que dizem os locais onde utilizei o cartão. No dia 21 de Setembro de 2012 fiz três movimentações, uma às 19H18, outra às 19H19 e outra às 19H20 na; no dia 23 de Novembro de 2012 fiz dois movimentos, um às 15H49 na área de saúde do Continente do Shooping, e outra às 16H05 nas caixas do hipermercado. 

Advogado do Arguido – Vossa Excelência se não se importa. Às sextas feiras, estamos a reportarmo-nos sempre há dois anos atrás, saber se na praceta, às horas em que o arguido chega, vamos pôr por volta das 15H00, 15H20, se está lá alguém.

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